Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora completou aniversário no dia 5 de agosto
Denise Claro
Agosto é o mês dedicado às vocações, e para as salesianas tem ainda um significado a mais. O Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora comemora neste mês 152 anos de fundação.
Fundado em 5 de agosto de 1872, o Instituto é um testemunho do trabalho conjunto entre São João Bosco, fundador dos salesianos, e Santa Maria Domingas Mazzarello, cofundadora e primeira superiora do Instituto.
Nesta data, na região de Mornese, na Itália, um grupo de 11 jovens pronunciou seu “sim” para dar início àquela comunidade religiosa que, inspirada no exemplo de Nossa Senhora Auxiliadora, passou a se dedicar à educação e à evangelização das jovens.

Nas últimas quinta (8) e sexta-feira (9), os colaboradores do Centro Universitário Teresa D’Ávila – UNIFATEA, fizeram uma homenagem às religiosas que atuam na instituição, comemorando os 152 anos de fundação da congregação e o SIM dado por cada uma das religiosas presentes em Lorena.
Na quinta a homenagem foi feita pela equipe de gestão, quando cada integrante destacou a importância da história das Filhas e Maria Auxiliadora em suas jornadas, bem como o olhar individual nas histórias pessoas e acadêmicas. Na sexta foi a vez dos colaboradores, que se reuniram na Capela para um momento de testemunhos e orações.
A vice-reitora do Centro Universitário Teresa D’Ávila- UNIFATEA, Irmã Zenilde Aparecida Fontes, é natural de Santa Catarina e entrou para a vida religiosa há 25 anos.
“O que me fez me decidir foi ver que havia esse caminho, essa possibilidade de a pessoa se entregar a um estilo de vida, a uma missão, a um trabalho, para além do tempo cronometrado, é onde você percebe que pode fazer uma entrega muito maior, dedicada, exclusiva, para essa missão”.
A reitora Irmã Célia Regina Querido tem 43 anos de profissão religiosa e também conta como surgiu sua vocação:
“Sou de uma cidade muito pequena, e sempre atuei, desde adolescente, nos movimentos e encontros de jovens na Igreja. Conforme fui crescendo, mesmo trabalhando (era concursada), fui percebendo que o que me alimentava, o que me deixava feliz e me completava eram esses momentos de entrega, de evangelização, muito mais do que o trabalho que eu desempenhava. Então me decidi pela vida religiosa. O que me faz todos os dias me levantar e me doar pela juventude ainda hoje é esse mesmo voto que eu fiz lá em 1981. Doando minha vida pelo bem da juventude e seguindo os passos de Cristo”.
Carisma traduzido no jeito feminino de ser

Mais de um século e meio depois de sua fundação, o carisma salesiano das Filhas de Maria Auxiliadora traduz no feminino a intenção de São João Bosco, que é toda essa dimensão primordial da educação, o sistema preventivo- através do amor, da educação, e da religião, de educar os jovens.
Irmã Zenilde lembra que na perspectiva do carisma feminino das FMA se foca muito também no empoderamento da mulher. “Santa Maria Domingas Mazzarello, através das oficinas, ensinava as meninas a costurar, para que pudessem ter um ofício, e que não ficassem dependentes e tivessem o seu sustento.”
Empreendedorismo que hoje é atualizado para as mulheres e homens na forma do Parque Científico e Tecnológico do UNIFATEA: “Homens e mulheres que hoje são donos do seu próprio negócio, e podem gerar um valor através do serviço e dignidade através do conhecimento.”, afirma a religiosa.
Irmã Zenilde reforça que o carisma salesiano traz muito a característica da alegria, presença mariana, espiritualidade do cotidiano, da cruz, no sentido de que a cruz é a passagem, mas a espiritualidade da ressurreição. “Nossa meta é Jesus ressuscitado. Carisma traduzido no jeito feminino de ser.”
Nossa Senhora como exemplo
Dez anos antes da fundação do Instituto, Dom Bosco teve, em um de seus sonhos proféticos, a visão de Maria Auxiliadora que, apontando um grupo de meninas, lhe pedia: “Cuide delas: são minhas filhas”.
O nome do Instituto foi escolhido por Dom Bosco com um claro objetivo: que as Irmãs fossem um “monumento vivo” de sua gratidão a Nossa Senhora Auxiliadora.
Para a reitora do UNIFATEA, Irmã Célia Regina Querido, essa presença de Nossa Senhora está na história. “Dom Bosco dizia que entre nós, salesianos, foi Ela (Maria) quem tudo fez. Somos uma casa Mariana, e propagamos a devoção a Nossa Senhora Auxiliadora.”
Irmã Zenilde complementa: “Desta forma estamos sendo gratas e honramos este patrimônio espiritual de São João Bosco. Tomar Nossa Senhora como guia, protetora, auxiliadora, estabelecer diariamente essa confiança filial com Nossa Senhora. Saber que a Mãe sempre está conosco e sempre nos acompanha. Maria é quem nos conduz a Jesus, sempre.”
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A presença das Irmãs Salesianas

Após obterem a aprovação de suas Constituições, em 1876, as Filhas de Maria Auxiliadora começaram a expandir seu carisma para outras regiões da Itália, para países da Europa e para os outros continentes.
No Brasil, as salesianas chegaram no ano de 1892. O Vale do Paraíba foi o berço da obra das Filhas de Maria Auxiliadora no país.
As primeiras irmãs chegaram ao Brasil pela cidade de Guaratinguetá (SP), onde hoje é o Instituto Nossa Senhora do Carmo, e à cidade de Lorena (SP).
“A historia da cidade de Lorena está muito interconectada com a história da vida salesiana, entre os padres e entre as irmãs. As irmãs salesianas fizeram muita história aqui na prestação de serviço à saúde junto à Santa Casa de Misericórdia durante muitos anos. Também trabalharam muito nos oratórios por todas as comunidades de Lorena, além do Instituto Santa Teresa, que foi muito tradicional aqui na cidade, e até hoje mantém essa lembrança carinhosa da educação salesiana. As irmãs também começaram a atuar no Ensino Superior. Temos uma casa no centro, que também foi um berço de muitas oficinas para as meninas – costura, crochê, pintura- e hoje é a casa que abraça as irmãs idosas.
Atualmente, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora está presente em 97 países, nos cinco continentes. São 11.535 religiosas, espalhadas em 69 inspetorias. São mais de 1.600 comunidades educacionais e cerca de um milhão de alunos de todos os níveis de ensino, da educação infantil à universidade. No Brasil, as irmãs vivem sua vocação de amor e atenção à juventude em todos os estados.
O diferencial da educação salesiana

Irmã Zenilde lembra que os salesianos tem a preocupação com a qualidade da educação e com a dimensão da integralidade da pessoa. “Há nas escolas salesianas uma ambiência em que se descobre o sentido da vida, sua missão de vida, para além da profissão, onde o aluno busca se realizar através do que está aprendendo.”
“A gente se esforça para viver o carisma e os seus valores. Em uma casa salesiana, os jovens vão se sentir sempre muito bem acolhidos, valorizados, reconhecidos como pessoas, vão ser educados nos valores e nas virtudes. Entrar numa casa salesiana, é se sentir em família. E se sentir em familia é se sentir bem. Este mesmo espírito deve existir entre as nossas comunidades (entre os padres, entre as irmãs) e nas escolas salesianas. A gente insiste muito com nossos leigos, colaboradores, com nossos professores, que sejam esses braços das irmãs nos corredores, nas salas de aula, nos intervalos, porque os jovens precisam de pessoas que os apoiem.”, reforça Irmã Célia.